BC reduz projeção do PIB para 1,8% em meio à desaceleração da economia

Selic está em 13,75% ao ano, enquanto IPCA-15 de setembro avançou 0,70%; Fazenda estima crescimento de 2% em 2026

O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão aparece no Relatório de Política Monetária, divulgado em setembro, e reforça a leitura de perda de ritmo da atividade no segundo semestre.
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, depois de avançar 1,1% nos três primeiros meses do ano. Segundo o BC, os primeiros indicadores do terceiro trimestre apontam continuidade da moderação, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido.
▌ Juros caem, mas BC mantém cautela
Na reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Na ata da reunião, o colegiado atribuiu a decisão à moderação da atividade e da inflação, mas destacou que as expectativas seguem acima da meta e que o cenário exige cautela.
Apesar da flexibilização dos juros, o Banco Central manteve em 5,2% a projeção para o IPCA no fim de 2026. A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
▌ IPCA-15 avança 0,70% em setembro
A prévia da inflação voltou ao terreno positivo em setembro. O IPCA-15 subiu 0,70%, após queda de 0,40% em agosto. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,47%, segundo o IBGE.
O dado mostra que, embora a inflação oficial acumulada em 12 meses tenha recuado nos últimos meses, as pressões sobre os preços ainda permanecem no radar da política monetária.
▌ Fazenda projeta crescimento de 2%
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa um pouco mais alta para a atividade. No Boletim Macrofiscal de setembro, a projeção para o PIB de 2026 foi revisada de 2,3% para 2%.
A Fazenda atribuiu a revisão principalmente a expectativas menores para serviços e indústria, parcialmente compensadas por uma projeção melhor para a agropecuária. Para a inflação medida pelo IPCA, a pasta reduziu sua estimativa de 5,1% para 4,9% no ano.
As projeções do Banco Central e da Fazenda usam metodologias e hipóteses diferentes, mas apontam para o mesmo movimento geral: uma economia que segue crescendo em 2026, porém em ritmo mais moderado, enquanto juros e inflação continuam no centro das decisões para os próximos meses.




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