Produtora de ‘Dark Horse’ diz ter sido procurada por Fernando Sarney para tratar de delação; ele nega contato

Karina Gama afirmou em documento registrado em cartório que empresário mencionou proximidade com Flávio Dino; ela própria diz não ter elementos que indiquem participação do ministro

A empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, afirmou em documento registrado em cartório que foi procurada por Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, para tratar da possibilidade de uma delação premiada. Sarney negou ter mantido contato com a empresária.
Karina é uma das investigadas na Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10) para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. O deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa sobre Jair Bolsonaro, também foi alvo da operação. Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

No documento, Karina relata que teria sido procurada inicialmente em 20 de maio e que o contato efetivo com Fernando Sarney teria ocorrido dois dias depois. Segundo a versão apresentada por ela, Sarney teria oferecido apoio jurídico, afirmado ter proximidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e mencionado a possibilidade de ajudá-la caso tivesse interesse em firmar uma colaboração premiada.
A empresária afirmou que não demonstrou interesse em fazer delação e disse não identificar motivos para adotar a medida. No próprio documento, ela ressalta que a menção ao ministro partiu exclusivamente de Sarney e que não possui elementos para afirmar que Dino tivesse conhecimento, participação ou envolvimento no suposto contato.

Fernando Sarney negou a versão. Em declaração reproduzida pela imprensa, afirmou não conhecer Karina Gama e disse jamais ter mantido contato com ela ou com qualquer outra pessoa sobre uma eventual delação envolvendo a produção de “Dark Horse”.
O documento também relata outras abordagens que, segundo Karina, teriam ocorrido nos meses seguintes e estariam relacionadas à possibilidade de uma colaboração premiada. A Folha de S.Paulo informou que o texto menciona um pastor e um jornalista, além de Sarney. A empresária sustenta que não pretende fazer delação por afirmar não ter cometido irregularidades.
A declaração foi localizada durante as buscas realizadas pela Polícia Federal, segundo informações publicadas pela CNN Brasil.





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