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Lúpus ainda é pouco conhecido e desafia diagnóstico precoce na Bahia

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

Doença autoimune atinge principalmente mulheres jovens, tem tratamento pelo SUS e mobiliza rede de apoio e campanhas de conscientização no estado

Reportagem : Luma Mendes

O protetor solar é grande aliado para cuidar da pele de pessoas com Lúpus  (Foto: Luma Mendes)
O protetor solar é grande aliado para cuidar da pele de pessoas com Lúpus (Foto: Luma Mendes)

Fadiga extrema, dores persistentes e sintomas que passam anos sem diagnóstico, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) ou apenas lúpus ainda é uma doença pouco reconhecida na Bahia e pode comprometer órgãos vitais quando identificado tardiamente.


Bate-bola sobre o que lúpus com pessoas que frequentam um shopping de Salvador

Dados regionais apontam que o Nordeste registra cerca de 8,7 casos de lúpus para cada 100 mil pessoas, com predominância expressiva entre mulheres jovens — o grupo mais afetado pela condição. A doença é autoimune e provoca inflamações que podem atingir pele, articulações, rins, pulmões, coração e sangue.


A enfermeira Letícia Seara, especialista em emergência e terapia intensiva, destaca que o desconhecimento ainda é um dos principais obstáculos.


“Muita gente acha que lúpus é só mancha na pele, e não é. Ele pode afetar diversos órgãos e alterna períodos de crise e remissão. Nem sempre a doença é visível”, explica.

Segundo a Lúpicos Organizados da Bahia — grupo de apoio que oferece informações e luta por direitos — aponta que a doença ainda sofre com preconceitos como: associar a câncer, que é hereditária ou até que é uma doença exclusiva de mulheres. Essas informações não são corretas e é necessário ficar alerta aos primeiros sinais:


  • dores nas articulações;

  • febre constante;

  • queda de cabelo;

  • manchas no rosto em formato de asa de borboleta.


Diagnóstico ainda é um desafio


Uma das dificuldades é que o lúpus pode ser confundido com outras doenças, como fibromialgia, artrite reumatoide, infecções virais, problemas de tireoide e até estresse crônico.


O diagnóstico costuma ser feito por reumatologistas a partir da avaliação clínica e de exames laboratoriais. A demora na identificação pode agravar complicações quando há comprometimento renal, uma das formas mais graves da doença.


O tratamento do lúpus é oferecido pelo Sistema Único de Saúde e inclui imunossupressores, corticoides e medicamentos para controle da dor e da inflamação. Em Salvador, o Centro de Infusões e Medicamentos Especializados da Bahia (CIMEB) é referência na dispensação de medicamentos de alto custo.


Mesmo com a assistência pública, pacientes e familiares relatam dificuldades no acesso a especialistas e na continuidade do tratamento. Por isso, a Defensoria Pública da Bahia tem promovido audiências públicas para discutir melhorias na assistência e garantir os direitos dos pacientes.


Além do atendimento médico, a rede de apoio tem papel fundamental no acolhimento e na informação. As ações da associação Lúpicos Organizados da Bahia (LOBA) ganham força em maio, mês conhecido como Maio Roxo, dedicado à conscientização sobre o lúpus e outras doenças reumatológicas.


“É um período importante pois informamos a população, ajudamos a combater a desinformação e realizamos campanhas incentivando o diagnóstico precoce”, acrescenta Jacira Conceição, representante da organização.

Apesar de não ter cura, com acompanhamento adequado é possível manter uma rotina ativa. Entre os principais cuidados recomendados estão:


  • Evitar exposição solar intensa e usar protetor diariamente;

  • Manter acompanhamento regular com reumatologista;

  • Seguir corretamente o tratamento medicamentoso;

  • Controlar o estresse e a qualidade do sono;

  • Procurar atendimento ao notar sintomas persistentes.


“Não normalizar um corpo que vive dando sinais de que algo não vai bem, é crucial. O diagnóstico precoce faz toda a diferença.”, reforça Letícia Seara.



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