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Eleições 2026 tiveram quase um conteúdo com IA por hora nas redes, aponta levantamento

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Redação
há 3 horas
3 min de leitura

Monitoramento da Agência Lupa identificou 920 publicações produzidas ou alteradas com inteligência artificial; 60% circulavam sem identificação do uso da tecnologia

Ilustração sobre inteligência artificial, deepfakes e conteúdos eleitorais nas redes sociais durante as eleições de 2026
Imagem ilustrativa sobre o uso de inteligência artificial em conteúdos eleitorais nas redes sociais. Imagem: Gerada por IA/071 News

O uso de inteligência artificial em conteúdos relacionados às eleições de 2026 nas redes sociais alcançou uma média de quase um caso por hora durante o primeiro turno. Entre 16 de agosto e 28 de setembro, o VigIA, projeto do Observatório Lupa, da Agência Lupa, identificou 920 publicações produzidas ou alteradas com IA, média de aproximadamente 20 casos por dia.

Ao todo, o projeto coletou 1.941 conteúdos político-eleitorais considerados suspeitos no período. Até o fechamento do levantamento, 972 haviam sido analisados. Desse total, 920 tiveram o uso de inteligência artificial confirmado, 26 apresentaram resultado inconclusivo e outros 26 não mostraram indícios de IA. Os demais materiais ainda estavam em avaliação.

Segundo os dados publicados pela Agência Lupa, 552 dos 920 conteúdos sintéticos confirmados, o equivalente a 60%, foram classificados como deepfakes. O monitoramento identificou ainda 30 deepfakes envolvendo jornalistas, inclusive em materiais que simulavam a divulgação de pesquisas eleitorais falsas.

Outro dado do levantamento mostra que 549 conteúdos confirmados, também cerca de 60%, não apresentavam qualquer indicação do uso de inteligência artificial. Outros 371 tinham algum tipo de rótulo de transparência, inserido pela plataforma ou pelo responsável pela publicação.

As regras eleitorais de 2026 estabelecem exigências de identificação para propaganda eleitoral que utilize conteúdo sintético produzido ou significativamente alterado por inteligência artificial, além de prever restrições específicas ao uso de deepfakes.

“Os dados do primeiro turno mostram que a IA já faz parte da comunicação política cotidiana, e não só de episódios isolados. Quando encontramos quase um conteúdo com IA por hora e vemos que a maioria não sinaliza o uso da tecnologia, temos uma dimensão do desafio que esse cenário representa não só para o eleitor como para os órgãos fiscalizadores”, afirma Cristina Tardáguila, fundadora e gerente de Inteligência e Formação da Agência Lupa.

▌ Promoção de candidaturas lidera uso de IA

A promoção de candidaturas foi a finalidade mais frequente entre os conteúdos sintéticos identificados pelo VigIA, com 414 casos, equivalentes a 45% do total. Outros 254, ou 27,6%, foram classificados como humor ou sátira, enquanto 226, ou 24,6%, tinham como objetivo atacar uma pessoa ou candidatura.

Quase metade dos conteúdos confirmados, cerca de 47%, foi publicada por contas de usuários de redes sociais, eleitores ou militantes. Perfis desconhecidos, anônimos ou com avatares responderam por 27%, enquanto contas oficiais de candidatos representaram aproximadamente 24,5% dos casos analisados.

Do total, 621 conteúdos tratavam de temas de interesse nacional, principalmente relacionados à disputa pela Presidência. Outros 228 abordavam questões regionais, incluindo eleições para governos estaduais e o Legislativo.

Entre as pessoas públicas retratadas nos conteúdos monitorados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu em 379 registros, Flávio Bolsonaro em 190 e o ex-presidente Jair Bolsonaro em 94. Um mesmo conteúdo pode retratar mais de uma pessoa, por isso o número de registros não corresponde ao total de publicações.

Os vídeos representaram 56,8% dos casos identificados e as imagens, 43,2%. O Facebook concentrou 559 ocorrências, seguido por Instagram, com 365; X, com 96; TikTok, com 70; e WhatsApp, com três.

▌ Parceria com a Justiça Eleitoral

O VigIA mantém parceria com o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que pode encaminhar ao projeto links, vídeos, imagens e outros materiais com suspeita de geração ou manipulação por inteligência artificial.

A iniciativa também atua em cooperação com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e a Meedan. A proposta é analisar conteúdos suspeitos e produzir informações sobre as dinâmicas e o volume de materiais sintéticos durante o processo eleitoral.

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