Conclave também é marcado por polarização entre cardeais
- Redação

- 28 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Expectativa em torno do Conclave expõe divisão entre alas conservadoras e progressistas na Igreja Católica

A polarização política da sociedade contemporânea não respeita fronteiras — nem mesmo as da Igreja Católica. A cada novo Conclave, a imprensa especula se o próximo papa será “conservador” ou “progressista”. Essa expectativa, longe de ser infundada, reflete uma divisão real entre os cardeais e dentro do próprio catolicismo global. Mas por que uma instituição milenar, cuja vocação é a unidade, continua sendo atravessada por tensões que parecem pertencer à era das redes sociais?
A análise é do jornalista e escritor Gutierres Fernandes Siqueira, autor do livro "Igreja Polarizada: Como a guerra cultural ameaça destruir nossa fé" (Editora Mundo Cristão). Para ele, dentro da tradição cristã, conservadorismo e progressismo muitas vezes operam como verdadeiras "seitas". No passado, "seita" era uma forma de nomear "partidos". Cada um desses polos se apega a aspectos legítimos da fé — tradição e renovação — mas os absolutiza, transformando-os em ídolos.
O conservadorismo tende a sacralizar costumes herdados, confundindo o eterno com o que foi historicamente produzido em solo europeu. Já o progressismo, na ânsia de atualizar a fé, corre o risco de dissolvê-la, relativizando seus fundamentos em nome da adaptação cultural — transformando uma fé viva em mera ética humanista.
Essas disputas, segundo Siqueira, não são novas. Desde os primeiros séculos do cristianismo, a Igreja tem convivido com tensões entre permanência e mudança. A tradição cristã nunca foi homogênea; sempre abrigou debates legítimos sobre como viver, interpretar e anunciar o Evangelho. O problema não está na divergência, mas na incapacidade de dialogar com maturidade e de submeter o próprio ponto de vista à verdade revelada.

O autor também lembra que, no século XX, o Concílio Vaticano II foi um marco de abertura e diálogo com o mundo moderno. Mas sua recepção foi desigual. Alguns o viram como um novo Pentecostes — um refresco de ideias e posturas —, enquanto outros o consideraram o início de uma crise de identidade. Desde então, a Igreja vive um processo de fragmentação interpretativa.
Essa crise de autoridade — acentuada pelos escândalos morais e pela ascensão das mídias digitais —, segundo Siqueira, ampliou essa fragmentação. Em vez de um único magistério, hoje há “magistérios paralelos”: youtubers, redes sociais e influenciadores que formam verdadeiras bolhas teológicas.












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