Transtorno do Espectro Autista na vida adulta: sinais de alerta e caminhos para o diagnóstico tardio
- Redação

- há 1 dia
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Entenda quais são os sintomas frequentemente ignorados ao longo da vida e que destacam os desafios do diagnóstico tardio de autismo em adultos.
Reportagem : Vitória Sacramento

O diagnóstico tardio de condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil, trazendo à tona histórias marcadas por dificuldades emocionais, sociais e profissionais ao longo da vida. Especialistas apontam que a ausência de identificação precoce pode gerar prejuízos significativos, mas também destacam o papel do diagnóstico como ferramenta de autoconhecimento e recomeço.
De acordo com o psicólogo Gustavo Tozzi, diretor do Instituto Ninar, o aumento de diagnósticos na fase adulta está relacionado à evolução dos critérios clínicos e à ampliação do debate sobre o tema. “Adultos estão recebendo diagnósticos tardios porque hoje há mais informação e critérios mais sensíveis para identificar o transtorno”, afirma.
A falta de diagnóstico durante a infância pode impactar diretamente o desenvolvimento do indivíduo. O desconhecimento da condição afeta diferentes áreas da vida. Uma vez que o diagnóstico tardio pode trazer prejuízos à vida pessoal, profissional e acadêmica.
A neuropsicóloga Thais Barbi, que atua com avaliação de adultos, explica que muitos pacientes desenvolvem mecanismos para se adaptar socialmente, o que dificulta a identificação precoce. “Essas pessoas passam anos mascarando comportamentos e tentando se encaixar, o que pode gerar sofrimento psíquico significativo”, pontua.
Na prática, o impacto emocional do diagnóstico tardio costuma ser ambivalente. Se por um lado há o alívio de finalmente compreender a própria trajetória, por outro surgem sentimentos de frustração ao perceber os desafios enfrentados sem o suporte adequado.
A pedagoga e ativista Luciana Viegas, diagnosticada na vida adulta, destaca a invisibilidade desse público.
“Existe uma grande lacuna quando falamos de adultos autistas. Muitas dessas pessoas cresceram sem qualquer tipo de apoio”, afirma.
Histórias como a de Marcelo Vindicatto reforçam essa realidade. Antes do diagnóstico, ele relata ter vivido anos sem entender suas próprias dificuldades. “Eu sempre me senti diferente, mas não sabia o porquê”, conta.
Para especialistas, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e à informação é fundamental para reduzir os impactos ao longo da vida. A identificação ainda na infância permite intervenções que favorecem o desenvolvimento social, emocional e profissional.
Entre os principais sinais que podem indicar a necessidade de investigação estão dificuldades persistentes de socialização, sensação constante de “não se encaixar”, hipersensibilidade a sons, luzes ou toque, necessidade de rotina rígida, crises de ansiedade em situações sociais e cansaço após interações, conhecido como esgotamento social.
Também é comum um histórico de incompreensão na infância, quando a pessoa era vista como “tímida demais” ou “diferente”, sem que houvesse uma explicação clara para esses comportamentos.
Ao identificar esses indícios, o primeiro passo é buscar orientação profissional, iniciando por um clínico geral ou diretamente com um psicólogo, que pode encaminhar para avaliação especializada com neuropsicólogo ou psiquiatra. O processo costuma envolver entrevistas clínicas, aplicação de testes e análise da história de vida do paciente. É importante evitar o autodiagnóstico e procurar serviços de saúde confiáveis, seja na rede pública ou privada.




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