Setembro Amarelo: psicóloga alerta para importância do diálogo na prevenção ao suicídio
Bianca Reis chama atenção para sinais de sofrimento psíquico em diferentes faixas etárias e reforça necessidade de acompanhamento profissional

O Setembro Amarelo chama atenção, ao longo deste mês, para a prevenção ao suicídio e para a importância de ampliar o diálogo sobre saúde mental. Para a psicóloga Bianca Reis, falar sobre o assunto de maneira responsável pode ajudar a identificar situações de sofrimento e facilitar a busca por apoio.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo. Em 2021, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.
Nas Américas, a situação entre adolescentes e jovens adultos também acende um alerta. Um levantamento divulgado em 2026 pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que 18.157 pessoas entre 10 e 24 anos morreram por suicídio na região em 2021. Entre 2000 e 2021, a taxa de mortalidade nesse grupo aumentou 38%.
Segundo o estudo, três em cada quatro mortes nessa faixa etária ocorreram entre pessoas do sexo masculino. Apesar disso, o crescimento das taxas foi mais rápido entre as mulheres e apresentou avanço especialmente preocupante entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

“Durante muito tempo se acreditou que falar de suicídio levaria as pessoas a pensar em tirar a própria vida, o que é, na verdade, um grande mito. Quando temos um problema de saúde, precisamos falar sobre ele”, afirma.
A psicóloga chama atenção também para o sofrimento psíquico durante a infância. Segundo ela, sinais relacionados à saúde mental não devem ser ignorados apenas pela idade.
“Crianças não pagam boletos, mas elas podem estar pagando altos preços por aqui estarem existindo. Por isso, ideações suicidas não se manifestam apenas na adolescência, na idade adulta e na velhice, mas também na infância”, afirma Bianca.
A especialista cita ambientes familiares conflituosos, agressões físicas, abuso psicológico, bullying, discriminação, cobranças excessivas relacionadas ao desempenho escolar, separação dos pais e dificuldades financeiras entre situações que podem ampliar o sofrimento emocional.
“Crianças são extremamente sensíveis e compreendem o mundo de uma maneira bastante particular, mas também influenciada pela forma como são tratadas e pela maneira como apresentamos a elas mesmas e o mundo”, pontua.
A OMS destaca que o suicídio resulta da interação de diferentes fatores sociais, culturais, biológicos, psicológicos e ambientais. Situações de crise, transtornos mentais, uso de substâncias, isolamento, discriminação e outros contextos de vulnerabilidade podem estar relacionados ao risco.
Para Bianca, familiares, amigos e pessoas próximas podem contribuir ao manter canais de diálogo abertos e acolher relatos de sofrimento sem julgamentos.
“Tratá-las como incapazes de lidar com os próprios problemas, fracas, covardes ou de outra forma pejorativa ou preconceituosa não colabora. É necessária uma comunicação empática, compreensiva e solidária com o sofrimento do outro”, alerta.
A psicóloga reforça, entretanto, que o acolhimento de familiares e amigos não substitui atendimento especializado.
“Afeto e carinho são essenciais, mas não dispensam o acompanhamento psicológico ou psicoterapêutico, bem como médico, psiquiátrico ou neurológico”, conclui.
Quem precisa de apoio emocional pode procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, que funciona 24 horas e de forma gratuita. A instituição também oferece atendimento por chat e e-mail.






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