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Análise do filme O Diabo Veste Prada: ambição, poder e escolhas

  • Foto do escritor: Leonardo Campos
    Leonardo Campos
  • há 10 minutos
  • 10 min de leitura

Filme dirigido por David Frankel vai além da moda e explora os impactos do sucesso na vida pessoal e profissional

Pôster do filme O Diabo Veste Prada com Anne Hathaway e Meryl Streep em frente a um salto alto vermelho, símbolo da indústria da moda
Anne Hathaway e Meryl Streep protagonizam O Diabo Veste Prada, filme que aborda ambição, poder e os bastidores da indústria da moda — Crédito: Divulgação / Arte 071 News

Comentado por David Frankel numa edição especial, O Diabo Veste Prada é um filme que narra a jornada de Andrea "Andy" Sachs (Anne Hathaway), uma recém-formada e aspirante a jornalista, que consegue um emprego que "um milhão de garotas matariam para ter": o de assistente júnior de Miranda Priestly (Meryl Streep) na revista de moda Runway. Embora Andy despreze o mundo superficial da alta costura, ela aceita o emprego como um passo para sua carreira de verdade, sem saber que sua vida se transformaria em um verdadeiro inferno. O enredo se concentra na luta de Andy para sobreviver às exigências cruéis e degradantes de sua chefe impiedosa, enquanto o glamour e as pressões da indústria da moda a transformam gradualmente, testando sua ética e seus relacionamentos pessoais.


O roteiro de Aline Brosh McKenna, adaptado do romance de Lauren Weisberger, é a espinha dorsal do filme, equilibrando drama e comédia com diálogos afiados e memoráveis. McKenna foi elogiada por seu trabalho em transformar o material original, muitas vezes considerado mais cínico e "chick lit", em uma narrativa cinematográfica mais edificante e acessível. O roteiro consegue desenvolver a complexa relação entre Andy e Miranda, explorando temas de ambição, sacrifício e o custo do sucesso. Ele também molda personagens secundários icônicos, como a invejosa Emily Charlton (Emily Blunt) e o compassivo Nigel Kipling (Stanley Tucci), que adicionam profundidade e momentos de alívio cômico à trama.


A direção de David Frankel é funcional, mas muitas análises apontam que a verdadeira força do filme reside nas atuações, especialmente na de Meryl Streep. Frankel, que tinha experiência na série Sex and the City, utilizou seu conhecimento para capturar a vibrante atmosfera da moda de Nova York e Paris. Embora alguns críticos tenham considerado a direção previsível, a habilidade de Frankel de criar um ambiente narrativo propício para o talento de seu elenco, em particular para o carisma de Streep, é inegável. A direção soube destacar as nuances da atuação de Streep, permitindo que a personagem Miranda Priestly se tornasse um ícone cultural, lembrada por seus olhares cortantes e sua presença imponente.


No geral, para o realizador, a força de O Diabo Veste Prada reside na combinação inteligente de roteiro e atuação que, sob a direção segura de David Frankel, resultou em um filme cativante e de sucesso. A narrativa, que vai além de uma simples história de moda, ressoa com o público ao explorar a dicotomia entre integridade e ambição, questionando o que estamos dispostos a sacrificar para alcançar nossos objetivos. A construção dos personagens, especialmente a de Miranda e a jornada de amadurecimento de Andy, faz com que o filme se mantenha relevante, oferecendo lições sobre liderança, cultura organizacional e autodescoberta, consolidando seu lugar como um clássico moderno.


A jornada de Andy Sachs em O Diabo Veste Prada é uma trajetória de transformação pessoal e profissional, que a leva de uma recém-formada ingênua a uma jornalista com ambições mais claras. Inicialmente, Andy despreza a indústria da moda e enxerga seu emprego na revista Runway apenas como um degrau para sua carreira jornalística. Sem se importar com as aparências, ela se veste de forma casual e ignora o universo de alta costura, algo que a torna alvo de críticas e do desprezo de Miranda Priestly. No entanto, a pressão e o desejo de sucesso a fazem se adaptar e, com a ajuda do diretor de arte Nigel, ela passa por uma grande mudança de estilo, ganhando a confiança necessária para se destacar em seu ambiente de trabalho.


Colagem de fotos de personagens de "O Diabo Veste Prada". Pessoas conversam em ambientes elegantes. Tons de vermelho e preto destacam.
Montagem em estilo polaroid com cenas do filme O Diabo Veste Prada, reunindo personagens em ambientes de moda, escritório e bastidores editoriais — Crédito: Divulgação / Arte Leonardo Campos

Conforme Andy se aprofunda no mundo da moda, ela sacrifica sua integridade e seus relacionamentos pessoais em prol de sua carreira, perdendo a si mesma no processo. Seu namoro com Nate e suas amizades são prejudicados por suas novas prioridades e pela dedicação excessiva ao trabalho, que a levam a tomar decisões que a afastam de seus valores originais. No clímax do filme, durante uma viagem a Paris, Andy confronta o custo de seu sucesso e, ao presenciar o lado implacável de Miranda, percebe que não quer se tornar como ela. Tomando uma atitude corajosa, ela decide abandonar a Runway para recuperar sua essência, reafirmando sua busca por um caminho que esteja alinhado com sua verdadeira paixão e com a pessoa que ela realmente deseja ser.


Embora seja apresentada inicialmente como a "vilã" da história, Miranda Priestly é uma personagem complexa e multifacetada, longe de ser unidimensional. Sua jornada não é de transformação, como a de Andy, mas sim de reafirmação de seu poder e posição, mostrando o alto preço do sucesso em sua esfera. A frieza e o autoritarismo de Miranda são, na verdade, mecanismos de defesa construídos ao longo de anos em um ambiente de trabalho extremamente competitivo e dominado por homens. A cena em que ela se mostra vulnerável a Andy, falando sobre seu divórcio, revela o ser humano por trás da fachada de "diaba". Esta e outras cenas sutis, como a forma como ela trata Andy após a mudança de atitude da assistente, demonstram a sua complexidade e a sua luta por se manter relevante e no controle, apesar dos problemas pessoais que enfrenta.


Sua "jornada" é uma demonstração de que, no topo, a vida não é fácil e exige sacrifícios que a maioria das pessoas não está disposta a fazer. Miranda, ao final do filme, demonstra uma espécie de respeito ou reconhecimento por Andy, não por se arrepender de seus métodos, mas por ver a garota fazer uma escolha corajosa que ela mesma não faria: a de priorizar sua felicidade e integridade acima do sucesso profissional. Essa aprovação, expressa de forma sutil através de um sorriso, mostra que Miranda entende a decisão de Andy e, de certa forma, a admira por isso. A personagem não é uma vilã que se redime, mas sim uma mulher de sucesso que entende o jogo de poder, aceita o preço e reconhece uma pessoa que, assim como ela, tem potencial, mas que decide seguir um caminho diferente.


Em O Diabo Veste Prada, os personagens de Emily Charlton, interpretada por Emily Blunt, e Nigel Kipling, interpretado por Stanley Tucci, desempenham papéis cruciais, atuando como ponte e contraste na jornada de Andy Sachs. Emily Charlton, a assistente sênior de Miranda Priestly, representa o lado mais impiedoso e obcecado da indústria da moda. Sua ambição é a sua força motriz, e ela não mede esforços para se manter nas boas graças de Miranda, chegando a ser rude e mesquinha com Andy. Sua jornada, marcada por um acidente e a perda da viagem a Paris, serve como um espelho para Andy, mostrando o destino daqueles que se entregam completamente ao mundo da Runway.


Nigel, o diretor de arte, é a figura que oferece a Andy um vislumbre de humanidade e honestidade no meio do caos. Ele atua como mentor para a protagonista, dando conselhos valiosos sobre como se vestir e, mais importante, sobre como navegar no ambiente de trabalho tóxico da Runway. Através de suas interações, Nigel explica a Andy a importância da moda e a paixão que a move, o que ajuda a protagonista a começar a entender e respeitar o mundo que ela inicialmente desprezava. Stanley Tucci entrega uma atuação memorável, que mistura humor e melancolia, especialmente quando seu destino é traçado pelo capricho de Miranda.


A dinâmica entre Emily e Nigel é outro ponto alto do filme, com seus diálogos ácidos e interações cheias de uma camaradagem complexa. Enquanto Emily representa o lado cruel e superficial do mundo da moda, Nigel personifica a paixão e a arte que também o compõem. Juntos, eles complementam a narrativa, mostrando as diferentes facetas da vida na revista Runway e oferecendo a Andy, e ao público, diferentes perspectivas sobre o que significa fazer parte desse universo. A interpretação de Emily Blunt, que equilibra a arrogância de sua personagem com momentos de vulnerabilidade, rendeu-lhe uma indicação ao Globo de Ouro.


O destino de Nigel e Emily sublinha a mensagem central do filme sobre os sacrifícios da ambição. A traição de Nigel por Miranda, que o deixa sem a promoção tão desejada, é um momento chocante que reforça a crueldade do mundo que eles habitam. Para Emily, a perda da viagem a Paris, o ápice de sua ambição, é uma queda dolorosa. Esses desfechos trágicos para ambos os personagens servem como um aviso para Andy, influenciando sua decisão final de abandonar a Runway. Eles são mais do que meros coadjuvantes; são elementos essenciais que moldam a jornada de Andy e a narrativa do filme.


O design de produção em O Diabo Veste Prada foi crucial para estabelecer o contraste entre o mundo glamoroso da alta costura e a realidade inicial da protagonista. A equipe de produção criou cenários detalhados e estilizados para a revista Runway, como o escritório imponente de Miranda Priestly, com sua paleta de cores frias e decoração minimalista, que refletem sua personalidade implacável e sua posição de poder. Essa estética contrasta fortemente com os ambientes mais simples e calorosos da vida pessoal de Andy, como o apartamento que ela divide com o namorado, ressaltando o choque cultural que ela enfrenta ao entrar no universo da moda. O uso de cenários reais em Nova York e a viagem a Paris ajudam a solidificar a atmosfera autêntica da história, segundo o diretor, personagens da própria história.


A direção de fotografia, a cargo de Florian Ballhaus, também desempenha um papel importante na narrativa, enfatizando as transformações de Andy e o ambiente em que ela se insere. Ballhaus utilizou uma abordagem que favorece a captura dos detalhes e das texturas dos figurinos, tornando-os elementos centrais da história. A iluminação de alto contraste em algumas cenas, especialmente aquelas com Miranda, contribui para a aura de poder e intimidação da personagem. O trabalho de fotografia destaca a mudança gradual de Andy, passando de uma paleta de cores e estilo mais simples para uma mais sofisticada e estilizada, conforme ela se adapta ao mundo da moda.


O figurino, criado por Patricia Field, foi um dos elementos mais aclamados e inesquecíveis do filme. A consultora de moda de longa data, também conhecida por seu trabalho em Sex and the City, utilizou peças de alta costura de grifes renomadas para construir o visual dos personagens, especialmente de Miranda e Andy. As roupas de Andy refletem sua evolução: no início, ela usa peças desleixadas que a fazem parecer uma intrusa na Runway e, depois, a transformação a leva a usar roupas elegantes e caras que a integram ao ambiente. Os figurinos de Miranda, sempre impecáveis e imponentes, servem como uma extensão de seu poder e status.


A importância dos figurinos vai além da simples estética, funcionando como uma ferramenta narrativa que ilustra o arco da protagonista. A mudança de estilo de Andy simboliza sua assimilação e eventual alienação, culminando na cena em que ela se desfaz de seu celular, em Paris, vestindo um sobretudo chique, marcando sua decisão de rejeitar aquele mundo. A colaboração entre o design de produção, a fotografia e o figurino não apenas criou um filme visualmente deslumbrante, mas também ajudou a contar a história de forma mais profunda, expressando os temas de identidade, ambição e o preço do sucesso através da linguagem visual.


O roteiro de Aline Brosh McKenna para O Diabo Veste Prada é amplamente elogiado por sua habilidade de adaptar o material de origem, o livro de Lauren Weisberger, para a tela de uma forma que equilibra a acidez da crítica à indústria da moda com um tom mais acessível e palatável para o público em geral. Enquanto o romance original tem uma veia mais amarga e focada nas queixas da protagonista, o roteiro de McKenna humaniza os personagens, criando um arco de personagem mais claro para Andy Sachs. Ela transforma Andy de uma vítima passiva para uma mulher que, apesar de desiludida, ainda tem poder de agência e toma uma decisão ativa para retomar o controle de sua própria vida.

Cenas do filme O Diabo Veste Prada: Montagem de fotos com duas mulheres em diferentes cenários. Elas conversam, atendem telefones e estão em exteriores e interiores elegantes.
Um mosaico de cenas que traduz o universo de O Diabo Veste Prada: moda, pressão, ambição e os bastidores de uma indústria onde cada detalhe comunica poder — Crédito: Divulgação / Arte Leonardo Campos

Além disso, McKenna aprofundou e deu mais nuances a personagens secundários, como Nigel e Emily, tornando-os mais do que simples alívios cômicos ou obstáculos. Seus diálogos, marcados por frases cortantes e memoráveis, como a infame monólogo sobre a cor azul celeste, não apenas definem a personalidade de Miranda Priestly, mas também articulam a filosofia por trás do universo da moda. O roteiro evita a unidimensionalidade, permitindo ao público vislumbrar a vulnerabilidade de Miranda, sugerindo que sua dureza é, em parte, um mecanismo de sobrevivência em um mundo impiedoso. Essa complexidade narrativa é um dos motivos pelos quais o filme ressoa tanto com o público, oferecendo uma história que é, ao mesmo tempo, uma comédia sobre ambição e um comentário sobre o custo do sucesso.


As atuações marcantes de Meryl Streep, Anne Hathaway e Emily Blunt foram o resultado de um trabalho de bastidores intenso e, por vezes, desafiador. Meryl Streep, por exemplo, adotou uma técnica de "isolamento" no set para incorporar a frieza de Miranda Priestly, mantendo distância dos demais atores e criando um clima de tensão genuíno entre ela e o resto do elenco. Esse método assustou os colegas, em especial Anne Hathaway, que descreveu a experiência como difícil e memorável. Já para o papel de Andy Sachs, Anne Hathaway não foi a primeira escolha da Fox 2000, e precisou lutar para conquistá-lo, chegando a escrever a palavra "Contrate-me" com o dedo em um jardim zen na mesa do executivo. A produtora preferia a atriz Rachel McAdams, que recusou a oferta diversas vezes.


O departamento de figurino, liderado pela lendária Patricia Field, teve o desafio de vestir o elenco com a verba limitada de US$ 100 mil, um valor irrisório para um filme sobre alta costura. A solução foi emprestar a maior parte das peças de grifes renomadas e usar a influência da própria Field no mundo da moda para conseguir acesso a itens exclusivos. O resultado foi um guarda-roupa que se tornou um personagem por si só, estimado em mais de um milhão de dólares e que estabeleceu tendências. A famosa cena da transformação de Andy é um dos momentos mais marcantes do filme e um triunfo do departamento de figurino.


A filmagem de O Diabo Veste Prada foi notavelmente rápida, levando apenas 57 dias para conclusão, incluindo as cenas badaladas em outras cidades, o que demonstra a eficiência da produção. O roteiro também passou por adaptações significativas, com o final original, considerado muito mais cínico e pessimista, sendo reescrito para o desfecho mais esperançoso e empoderador que conhecemos. Curiosamente, a personagem Miranda Priestly é notoriamente inspirada na editora da Vogue americana, Anna Wintour, que na época demonstrou um bom senso de humor sobre o assunto, afirmando ter achado o filme divertido e elogiando a atuação de Meryl Streep. O diretor é humorado na abordagem, não confirmando nada.


Outras curiosidades de bastidores incluem a participação da filha de Meryl Streep, Mamie Gummer, em uma cena que acabou sendo cortada, e o fato de o elenco e a equipe terem participado de uma breve imersão na cultura da alta moda para entenderem melhor o ambiente retratado no filme. A história da produção de O Diabo Veste Prada mostra como um trabalho de equipe dedicado, a criatividade na resolução de problemas e o talento inquestionável do elenco e da equipe técnica resultaram em um filme que se tornaria um clássico cultural, superando desafios e expectativas. Em linhas gerais, uma experiência que entretém e ensina.


O Diabo Veste Prada 2 | Trailer 3 Oficial Dublado _ Estreia em 30 de abril nos cinemas


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