Acarajé da Cira preserva tradição afro-baiana em Salvador
- Rony Costa

- 24 de mai.
- 2 min de leitura
Espaço em Itapuã segue como símbolo da cultura popular e da gastronomia tradicional baiana

O tradicional Acarajé da Cira, em Itapuã, continua recebendo diariamente moradores e turistas em Salvador e mantém viva uma das tradições mais conhecidas da gastronomia afro-baiana. Com 95 anos de história, o espaço segue como referência cultural e ponto de encontro de diferentes gerações na capital baiana.
Reconhecido como um dos símbolos da culinária popular de Salvador, o acarajé criado por Dona Cira atravessou décadas e consolidou o nome da baiana entre os principais patrimônios afetivos do bairro de Itapuã. Jaciara de Jesus, conhecida carinhosamente como Dona Cira, faleceu em 4 de dezembro de 2020, aos 70 anos, mas o espaço segue preservando a história construída pela baiana de acarajé ao longo de gerações e continua atraindo moradores e turistas em busca das tradições e raízes da cultura baiana.

Filha de Dona Cira e atualmente responsável pelo negócio, Cristina de Jesus Santos, mantém vivo o legado da avó, dona Odete Braz de Jesus, falecida aos 42, em 1962, e da mãe, com quem aprendeu o ofício ancestral, ainda na adolescência, aos 14 anos. Afirma que preservar a história construída pela família representa também manter viva parte da identidade cultural da cidade.
“Essa trajetória começou com minha avó, passou por minha mãe, Dona Cira, e hoje seguimos cuidando desse legado com muito respeito. São 95 anos de história ligados à cultura da Bahia e ao povo de Itapuã”, destaca Cristina.
Baiana de acarajé há 52 anos, Cristina afirma que o espaço mantém uma forte ligação afetiva com clientes que acompanham a história do acarajé há décadas, especialmente após os boatos sobre um possível fechamento do tradicional ponto em Itapuã.
“Recebemos clientes que frequentavam o local ainda crianças e hoje retornam trazendo filhos e netos. Existe uma memória construída aqui ao longo de gerações”, afirma.
A importância cultural de Dona Cira permanece reconhecida no próprio bairro, que abriga um busto em homenagem à baiana de acarajé. A homenagem reforça a contribuição da comerciante para preservação das tradições afro-baianas e valorização da gastronomia típica de Salvador.

Mesmo diante das transformações urbanas e das mudanças nos hábitos de consumo, o Acarajé da Cira continua como símbolo de resistência cultural e preservação das raízes baianas. O funcionamento permanece diário, das 10h à meia-noite.
O trabalho das baianas de acarajé passou a ser oficialmente reconhecido como patrimônio cultural brasileiro em 2005, quando o ofício foi registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em 2012, o reconhecimento também aconteceu na Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), que concedeu ao ofício o título de Patrimônio Imaterial do estado.
Já em 2017, a atividade de baiana de acarajé ganhou reconhecimento profissional oficial ao ser incluída pelo Ministério do Trabalho na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), fortalecendo a valorização e a identidade da categoria.





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